O BTG Pactual realizou três alterações na Carteira Recomendada 10SIM (10 melhores ações) para janeiro de 2026. Na última sexta-feira (2), foram adicionados Itaú (ITUB4), RD Saúde (RADL3) e Aura Minerals (AURA33), substituindo Copel (CPFE3), Smart Fit (SMFT3) e Direcional (DIRR3).
A mudança busca um equilíbrio setorial em meio a proximidade da flexibilização monetária no Brasil. Segundo o banco de investimentos, mesmo com menor apoio vindo dos Estados Unidos, o movimento doméstico deve continuar impulsionando os ativos locais.
A Carteira deste mês contém as seguintes empresas:
As mudanças na 10SIM foram feitas para buscar um maior equilíbrio setorial para proteger a carteira diante de um cenário considerado mais volátil. O principal movimento foi a reinserção do Itaú (ITUB4) no lugar da Copel (CPFE3), que elevou a exposição ao setor financeiro para 25%.
Nubank (ROXO34) foi mantido na carteira, mas teve sua participação reduzida de 15% para 10%. A decisão indica uma redistribuição interna no setor financeiro, sem eliminação da exposição a bancos digitais.
No varejo, RD Saúde (RADL3) passou a integrar a carteira no lugar da Smart Fit (SMFT3). A mudança altera a composição do setor, mantendo a exposição ao consumo, mas com foco diferente dentro do varejo listado na bolsa.
Durante boa parte de 2025, a exposição ao dólar foi limitada a 10%. Com a revisão da estratégia, a participação de empresas exportadoras foi elevada para 15%.
A principal novidade é a entrada da produtora de ouro Aura Minerals (AURA33), com peso de 5% — o ativo possui correlação ao dólar, oferecendo proteção em momentos de maior incerteza no mercado. Para abrir espaço à entrada da Aura, a Direcional foi retirada da carteira.
Em dezembro, a Carteira Recomendada 10SIM teve queda de 3%, ficando abaixo do Ibovespa (+1,3%), e do índice IBrX-50 (+1,4%).
Em 2025, o portfólio acumulou alta de 40,2%, mantendo desempenho superior ao principal índice da Bolsa brasileira (+34%) e do IBrX-50 (+32,1%). A taxa do CDI subiu 14,3% no período.
Desde a gestão iniciada por Carlos E. Sequeira em 2009, a carteira registra um ganho acumulado de 563,1%, também superando a valorização do Ibovespa (+161,9%) e do IBrX-50 (+211,1%). Veja abaixo:
A linha em azul representa a Carteira Recomenda, enquanto a linha preta indica a trajetória do Ibovespa. Imagem: BTG Pactual.
No Brasil, a atividade econômica manteve desempenho considerado sólido em 2025, mesmo com a taxa Selic elevada para 15% desde meados do ano. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu mais de 3% ao ano entre 2021 e 2024, acumulando expansão de 15% no período.
Para 2025, a projeção é de crescimento de 2,2%. O desemprego permanece em níveis historicamente baixos, enquanto a inflação segue em trajetória de desaceleração e deve encerrar o ano em 4,3%, acima da meta de 3%, mas em queda.
As contas externas apresentaram deterioração, impulsionadas pelo aumento das importações. Ainda assim, o déficit em conta-corrente segue financiado integralmente pelo investimento estrangeiro direto, que somou cerca de US$ 80 bilhões nos últimos 12 meses.
O principal desafio econômico continua sendo a fragilidade fiscal. A dívida bruta deve encerrar 2025 em 79% do PIB. O déficit primário está estimado em 0,5% do PIB, enquanto o déficit nominal — que inclui os gastos com juros — deve alcançar 8,5%.
Segundo o banco de investimentos, o governo sinalizou que não pretende implementar medidas relevantes antes das eleições. Assim, uma consolidação fiscal mais ampla ficaria para 2027, dependendo do próximo governo.
Para 2026, o banco projeta um cenário econômico semelhante ao de 2025, com desaceleração moderada da atividade. A estimativa é de crescimento do PIB de 1,7%, refletindo a política monetária ainda restritiva.
Ao mesmo tempo, medidas do governo devem injetar liquidez na economia. A principal é a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.
Outras iniciativas incluem subsídios ao gás de cozinha e à energia elétrica, linhas de crédito para reformas, ampliação do Minha Casa Minha Vida e um novo modelo de crédito imobiliário.
Na Carteira Recomendada, o BTG afirmou que essas medidas podem adicionar cerca de R$ 80 bilhões à economia em 2026, o equivalente a 0,6% do PIB.
Com a inflação se aproximando da meta no horizonte relevante, o BTG avalia que o Banco Central pode iniciar o ciclo de cortes da Selic no início de 2026. O mercado estima o primeiro corte entre janeiro e março.
A projeção é de redução total de 300 pontos-base ao longo do ano, levando a Selic para 12% no fim de 2026. Mesmo nesse patamar, a política monetária continuaria restritiva, considerando expectativas de inflação em torno de 4%.
A queda dos juros tende a beneficiar setores ligados ao consumo, como varejo e shopping centers, além de empresas com maior nível de endividamento, já que reduz o custo financeiro.
O BTG destaca que as eleições presidenciais de outubro devem ser o principal fator de volatilidade ao longo de 2026. O cenário político ainda depende da definição do principal candidato da oposição.
O ex-presidente Jair Bolsonaro anunciou apoio ao senador Flávio Bolsonaro, mas a candidatura enfrenta resistência entre partidos de centro-direita. Nesse contexto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é visto como uma alternativa competitiva, mas precisa decidir até abril se concorrerá.
Enquanto isso, o mercado acompanha os índices de aprovação do presidente Lula, que giram em torno de 43%, patamar considerado competitivo para uma tentativa de reeleição.
O mercado brasileiro teve forte desempenho em 2025, mesmo após um encerramento negativo em 2024. As ações subiram 34% em reais e 51% em dólares no ano, superando o S&P 500 e outros mercados da América Latina.
Segundo análise do BTG Pactual, o movimento foi influenciado principalmente por fatores externos, como a flexibilização da política monetária nos Estados Unidos, a queda das taxas de juros de longo prazo e o enfraquecimento do dólar.
Apesar do crescimento econômico mais fraco, o banco de investimentos projeta alta de 17% nos lucros das empresas brasileiras listadas em bolsa em 2026, excluindo Petrobras e Vale. Em 2025, a estimativa é de crescimento de 14%.
Empresas voltadas ao mercado doméstico devem apresentar recuperação mais forte, com avanço de 13% nos lucros, beneficiadas pela queda dos juros e pela redução das despesas financeiras.
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