Os senadores que postulam a renovação de seus mandatos em 2026 destinaram cerca de 81% de suas emendas em 2025 –o equivalente a R$ 1,4 bilhão– para municípios do interior dos Estados, preterindo as capitais.
O Senado renovará em outubro 54 assentos de senadores, o equivalente a ⅔ do total. Os mandatos na Casa Alta duram 8 anos.
Segundo levantamento do Poder360, ao menos 32 senadores estão de fato na briga para manter seus cargos em 2026. Este jornal digital considerou falas públicas, relatos diretos e aparições em pesquisas eleitorais dos senadores.
O montante total pago por congressistas ao longo do ano foi de R$ 31,5 bilhões.
Renan Calheiros (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-AM), Leila Barros (PDT-DF), Ângelo Coronel (PSD-BA) e Carlos Viana (Podemos-MG) definiram o destino de 100% de suas emendas em 2025 para cidades do interior, sendo o senador amazonense o com maior valor pago, cerca de R$ 68 milhões.
Já os senadores Márcio Bittar (PL-AC), Lucas Barreto (PSD-AP) e Jaques Wagner (PT-BA) foram os únicos a optar pelas capitais no destino do recurso público.
Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), cerca de 77% do eleitorado brasileiro está localizado fora das capitais. Nas eleições municipais de 2024, foram mais de 155 milhões de eleitores, sendo o Estado de São Paulo o maior dentre as Unidades Federativas, com 34 milhões de eleitores.
Ao Poder360, especialistas avaliaram que há uma relação direta entre o destino das emendas e o interesse eleitoral. Segundo Carlos Pereira, cientista político da FGV, o fato de senadores representarem os Estados influencia no processo de dispersão das emendas parlamentares.
“Senadores têm votos espalhados, é completamente esperado que, dispersando os recursos, possam reivindicar certos louros em benefícios do Estado. Deputados atuam em um cenário mais concentrado”, disse.
A aproximação do período eleitoral acarreta no estreitamento de laços entre os congressistas e prefeitos dos principais municípios. “Ao enviar emendas para essas cidades, esperando resultados na base do eleitorado, o apoio se torna mais visível e há maior possibilidade da conversão de votos”, afirmou.
O levantamento considerou as 26 capitais estaduais como destinos no Siga Brasil –portal de transparência de emendas– e informações oficiais do Senado. Para o Distrito Federal, domicílio eleitoral da senadora Leila Barros, as regiões administrativas foram consideradas parte de Brasília, portanto, a totalidade das emendas foi enviada para a capital.

