O Irã reabriu seu espaço aéreo após um fechamento temporário de quase 5 horas, medida que provocou cancelamentos, desvios de rota e atrasos em voos internacionais, com o aumento das tensões entre o país e os Estados Unidos.
De acordo com aviso divulgado pela FAA (Federal Aviation Administration), o espaço aéreo iraniano foi fechado às 17h15 (horário da costa leste dos Estados Unidos) de 4ª feira (14.jan.2026), permitindo apenas voos internacionais de e para o país que tivessem autorização oficial. A notificação foi retirada pouco antes das 22h, segundo dados do serviço de monitoramento Flightradar24.
Logo após a reabertura, ao menos 5 voos de companhias iranianas —Mahan Air, Yazd Airways e AVA Airlines— voltaram a sobrevoar o país. No mesmo horário, uma semana antes, havia dezenas de aeronaves no ar sobre o Irã, o que indica a dimensão do impacto provocado pela suspensão temporária.
O fechamento ocorreu diante da escalada das tensões entre o Irã e os Estados Unidos. O presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), tem sugerido uma intervenção militar em resposta à onda de protestos no país.
O cenário levou companhias aéreas a adotar medidas de precaução. A IndiGo, maior aérea da Índia, informou que alguns de seus voos internacionais foram afetados pela decisão iraniana. A Air India disse que passou a operar por rotas alternativas, o que poderia resultar em atrasos ou cancelamentos. Um voo da russa Aeroflot com destino a Teerã chegou a retornar a Moscou após o fechamento.
Autoridades alemãs também emitiram um alerta recomendando que companhias do país evitassem o espaço aéreo iraniano. Pouco antes, a Lufthansa havia reorganizado suas operações no Oriente Médio por causa do aumento das tensões. Os Estados Unidos já proíbem todos os voos comerciais do país de sobrevoarem o Irã, e não há ligações aéreas diretas entre os 2 países.
Segundo a plataforma Safe Airspace, mantida pela organização OPSGROUP, várias companhias já reduziram ou suspenderam serviços, e a maioria evita o espaço aéreo iraniano. A entidade avalia que o quadro indica riscos elevados à aviação civil, incluindo a possibilidade de atividade militar e de falhas na identificação de aeronaves.
Os protestos no Irã tiveram início em 28 de dezembro de 2025. São motivados pela situação econômica do país, com desvalorização acentuada da moeda, inflação a 42,2% (dados de dezembro de 2025) e aumento dos preços de bens essenciais. Comerciantes e trabalhadores foram às ruas para exigir um alívio econômico.
Mais pessoas se juntaram à manifestação. Reivindicam reformas políticas e do sistema judiciário, mais liberdade e criticam o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. O Irã reagiu. De acordo com informações da Hrana (Human Rights Activists News Agency), agentes usaram armas de fogo e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações. O acesso à internet foi cortado em 9 de janeiro.
Khamenei chama os manifestantes de “sabotadores”.
Veja imagens dos protestos no Irã (1min19s):


