A transformação do algodão cru em tecidos de alta performance conecta a tradição agrícola à mais avançada engenharia industrial. O uso de teares automatizados e processos de beneficiamento precisos garante a escala necessária para atender ao exigente mercado global de moda.
O processo industrial inicia-se com a abertura dos fardos compactados vindos das usinas de beneficiamento. Máquinas de alta capacidade removem as impurezas naturais restantes, como folhas e cascas, para garantir a pureza do material. Em seguida, a etapa de cardagem alinha as fibras paralelamente para formar uma manta contínua e uniforme.
A fiação é o momento crucial onde essa manta é torcida e estirada até ganhar resistência mecânica. A intensidade da torção determina se o fio será destinado a uma malha leve ou a um jeans pesado. Equipamentos modernos, desenvolvidos em países como a Suíça e a Alemanha, realizam esse trabalho em velocidades impressionantes.
Etapas do processo têxtil que converte fibras naturais de algodão em tecido automatizado
O tear é a máquina responsável por entrelaçar dois conjuntos de fios em ângulos retos para criar o tecido plano. O urdume permanece esticado longitudinalmente na máquina, enquanto a trama cruza lateralmente para fechar a estrutura. Antigamente, lançadeiras mecânicas faziam esse transporte de forma lenta e ruidosa.
Atualmente, teares a jato de ar ou pinças metálicas inserem a trama em frações de segundo. Sensores ópticos monitoram a tensão e paralisam a produção instantaneamente caso detectem um rompimento. Essa tecnologia reduz o desperdício nas tecelagens da China e da Índia, garantindo rolos de tecido sem defeitos.
A seguir, veja os dados da tabela sobre as tecnologias de tecelagem:
| Tecnologia | Velocidade de Inserção | Aplicação Principal |
| Jato de Ar | Altíssima | Tecidos leves (Lençóis) |
| Projétil | Média | Tecidos largos e técnicos |
| Pinça (Rapier) | Alta | Tecidos complexos e coloridos |
| Jato de Água | Alta | Fibras sintéticas (Nylon) |
A forma como os fios são entrelaçados no tear define a textura, a aparência e o uso final do produto. Cada padronagem, ou “armadura”, confere características mecânicas distintas ao pano, influenciando o caimento da roupa.
Na lista abaixo, estão as variações mais comuns encontradas no varejo:
O tecido que sai do tear, chamado tecnicamente de “cru”, possui uma cor amarelada e textura áspera. Ele precisa passar por processos químicos para atingir a maciez e a cor desejada pelo estilista. A mercerização, criada por John Mercer, utiliza soda cáustica para aumentar o brilho e a capacidade de absorção do algodão.
Após o tingimento com corantes de empresas como a BASF, ocorre a sanforização. Esse processo encolhe o tecido mecanicamente através de cilindros quentes e vapor. Isso assegura que a roupa não deforme ou encolha drasticamente após a primeira lavagem na casa do consumidor.
Etapas do processo têxtil que converte fibras naturais de algodão em tecido automatizado
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A transparência tornou-se um requisito obrigatório para a aceitação do produto brasileiro no exterior. A Better Cotton Initiative (BCI), sediada na Suíça, certifica que o cultivo respeitou critérios éticos e ambientais. No Brasil, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) lidera programas rigorosos de fiscalização.
Fábricas modernas investem em estações de tratamento para reciclar a água utilizada nos tingimentos. A rastreabilidade permite saber a origem exata da pluma, desde a fazenda até a vitrine. Assim, a tecnologia serve à produtividade e também à preservação dos recursos naturais.
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