Ibovespa desafia Wall Street, bate máxima histórica e flerta com os 167 mil pontos
O Ibovespa renovou a máxima intradia nominal histórica nesta terça-feira (20) e voltou a se aproximar dos inéditos 167 mil pontos, em um pregão marcado pelo avanço dos principais pesos-pesados da bolsa brasileira, mesmo em um cenário externo adverso.
No início da tarde, por volta das 14h20 (horário de Brasília), o principal índice da B3 alcançou os 166.467,56 pontos, com alta de 0,98%, superando o recorde intradia anterior, registrado no último dia 15, quando havia atingido 166.069,84 pontos. O movimento reforçou a expectativa de uma nova máxima histórica também no fechamento.
Com o avanço da sessão, o índice passou a mirar uma renovação da máxima histórica de fechamento. Na véspera, o Ibovespa havia encerrado aos 164.849,27 pontos, enquanto o recorde anterior de encerramento estava em 165.568,32 pontos, alcançado na semana passada. Em 2026, o índice já acumula valorização próxima de 3%.
O desempenho positivo ocorreu na contramão do exterior. Em Wall Street, os principais índices recuaram mais de 1%, refletindo o aumento das tensões geopolíticas após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, envolvendo países europeus e a tentativa de ampliar a influência norte-americana sobre a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
A renovação das máximas históricas foi sustentada, sobretudo, pelo desempenho dos pesos-pesados do índice, que juntos representam cerca de metade da carteira teórica do Ibovespa. As ações da Vale (VALE3) avançaram mais de 1%, impulsionadas pela entrada de fluxo estrangeiro no mercado brasileiro, em meio à saída de capital dos Estados Unidos diante do aumento das incertezas geopolíticas.
Apesar do fluxo positivo, os ganhos da mineradora foram parcialmente limitados pelo desempenho do minério de ferro. O contrato mais líquido da commodity negociado na bolsa de Dalian, na China, encerrou o dia em queda de 1%, a 789,5 yuans por tonelada (US$ 113,37).
A Petrobras (PETR4) também contribuiu para o movimento de alta do índice, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. O contrato mais negociado do Brent, com vencimento em fevereiro, subia cerca de 1,6%, negociado próximo a US$ 65 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
No setor financeiro, os bancos avançaram em bloco e reforçaram o desempenho do índice, em um pregão marcado pela atenção dos investidores aos desdobramentos do caso Banco Master e ao início dos pagamentos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aos credores da instituição.
Segundo o FGC, o aplicativo do fundo opera normalmente, processando cerca de 11,8 mil solicitações por hora — o equivalente a aproximadamente três pedidos por segundo. Pontualmente, volumes anormais de acessos simultâneos ainda provocam alguma lentidão no sistema.
Do universo estimado de cerca de 800 mil credores, aproximadamente 600 mil pedidos já foram registrados, sendo que cerca de 400 mil credores concluíram integralmente o processo de solicitação da garantia. Os pagamentos começaram nesta segunda-feira (19) e, de acordo com o fundo, parte dos requerimentos pode passar por camadas adicionais de verificação de identidade e prevenção a fraudes, o que pode estender o prazo de liberação dos recursos em alguns casos.
Entre os destaques do pregão, a ponta positiva do índice foi liderada pelas ações da C&A (CEAB3), enquanto a maior pressão negativa ficou com os papéis da CSN (CSAN3).
Com o suporte dos pesos-pesados e apesar do cenário internacional mais cauteloso, o Ibovespa manteve trajetória de alta ao longo do dia e seguiu próximo de renovar mais um marco histórico para o mercado acionário brasileiro.


