Mercados emergentes avançam com rotação global, dólar mais fraco e valorização das commodities.
Os mercados emergentes protagonizaram um dos movimentos mais fortes dos últimos anos nesta quarta-feira, impulsionados por uma combinação de rotação global de portfólio, alívio geopolítico, enfraquecimento do dólar e aumento da demanda por ativos reais. Bolsas da América Latina lideraram os ganhos globais, com destaque para países exportadores de commodities e mercados com elevada liquidez.
O movimento ocorreu em bloco e foi acompanhado por queda do dólar frente a moedas emergentes, fechamento relevante das curvas de juros e forte entrada de capital estrangeiro em ações e ativos de risco fora do eixo Estados Unidos–Europa.
O pano de fundo do pregão foi a intensificação de um processo que já vinha sendo observado desde o início do ano: a realocação gradual de recursos globais para fora dos Estados Unidos, em direção a mercados considerados descontados e fortemente expostos a ativos reais.
Investidores institucionais passaram a reduzir, ainda que marginalmente, a concentração em ativos americanos e ampliaram posições em regiões como América Latina, Ásia emergente e partes da Europa periférica. O movimento ganhou força após novas sinalizações de menor tensão geopolítica e incertezas relacionadas à política comercial norte-americana.
Dentro do universo de mercados emergentes, a América Latina se destacou como uma das regiões mais beneficiadas pela rotação global. Países produtores de commodities metálicas, energéticas e agrícolas registraram ganhos expressivos em dólar em 2026, superando pares asiáticos e europeus.
O apetite por risco foi direcionado especialmente a mercados com:
Esse conjunto de fatores reforçou a atratividade da região em um momento de busca global por diversificação e proteção contra a perda de valor das moedas fiduciárias.
O desempenho dos mercados emergentes reflete uma mudança estrutural na alocação de grandes investidores globais, como fundos de pensão, seguradoras e fundos soberanos. A preferência crescente por ativos reais — como metais, energia, infraestrutura e ações ligadas à economia real — vem ganhando espaço em detrimento de títulos públicos de longo prazo.
Mesmo em um ambiente de recuo pontual das tensões globais, o fluxo para commodities metálicas permaneceu consistente, sinalizando que a busca por proteção patrimonial segue ativa e estrutural.
Outro fator determinante para o desempenho dos mercados emergentes foi o enfraquecimento do dólar frente a uma cesta de moedas globais. Embora o índice DXY tenha oscilado ao longo do dia, a percepção de que a moeda americana segue sobrevalorizada sustentou movimentos de diversificação cambial.
Esse cenário favorece diretamente economias emergentes, que tendem a se beneficiar de:
A combinação de dólar mais fraco e crescimento econômico resiliente em algumas regiões reforça o apetite por risco fora do centro financeiro global.
Mercados com maior liquidez passaram a atuar como verdadeiros “condutores” do fluxo global. Nessas praças, grandes ordens de compra conseguem ser executadas com menor impacto nos preços, o que amplia ainda mais os movimentos de alta em momentos de forte entrada de capital.
Esse efeito de alavancagem do fluxo explica por que determinados mercados emergentes sobem mais rapidamente do que outros em ciclos de rotação global.
Apesar do forte desempenho das bolsas emergentes, o mercado de juros longos permanece como um ponto de cautela. Em diversas economias, os rendimentos de títulos de longo prazo seguem elevados, refletindo preocupações fiscais estruturais.
Ainda assim, o contraste entre:
reforça a leitura de que a preferência atual do investidor global está claramente voltada para ativos de risco e ativos reais, e não para dívida pública de longo prazo.
Para Fábio Murad, CEO da SpaceMoney, o avanço dos mercados emergentes vai além de um movimento tático. “Quando o investidor global passa a questionar a concentração excessiva em um único país e busca ativos reais, os emergentes entram naturalmente no radar como alternativa estrutural”, afirma.
O desempenho desta sessão reforça a tese de que os mercados emergentes podem continuar se beneficiando ao longo de 2026, especialmente se:
Com valuations ainda abaixo das médias históricas e liquidez crescente, os emergentes voltam a ocupar posição central nas estratégias globais de alocação.


