Crescimento do Brasil no quadriênio será o maior desde o 2º mandato do presidente Lula, de 2007 a 2010Crescimento do Brasil no quadriênio será o maior desde o 2º mandato do presidente Lula, de 2007 a 2010

Haddad deixará cargo com desemprego na mínima e dívida crescente

2026/01/25 20:00

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixará o cargo para se dedicar ao ciclo eleitoral, seja como candidato, seja como coordenador de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao sucessor, deixará um mercado de trabalho aquecido, com taxa de desemprego na mínima da série e nível recorde de ocupação. As contas públicas, porém, mostram deterioração, e o arcabouço fiscal não conseguiu reverter a trajetória de alta da dívida bruta.

O Brasil deve crescer mais de 10% no acumulado do 3º mandato do governo Lula. Segundo estimativas da Austin Rating, a expansão em 4 anos será de 10,9%, a maior para um quadriênio desde 2007 a 2010, período do 2º mandato de Lula.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou crescimento de 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024. O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, estimou a alta acumulada do quadriênio considerando crescimento de 2,1% em 2025 e 1,7% em 2026 do PIB (Produto Interno Bruto).

Na média, a economia brasileira deve crescer 2,6% ao ano, ante 1,4% no governo anterior de Jair Bolsonaro (PL).

O desempenho foi influenciado pelo consumo das famílias. Levantamento da Austin Rating indica que as despesas cresceram 12,7% em relação ao governo anterior, o maior avanço desde o 1º mandato de Dilma Rousseff (PT).

Parte do dinamismo econômico é associada ao impulso fiscal, com aumento da demanda decorrente de transferências públicas. O Poder360 mostrou que o governo Lula ampliou repasses diretos de renda.

As políticas do Estado de bem-estar social (o “welfare state”) custarão ao menos R$ 441 bilhões em 2025, considerando programas sociais, benefícios trabalhistas, medicamentos gratuitos e moradia.

Estudo do Itaú Unibanco estima que medidas fiscais e de crédito devem injetar R$ 179,7 bilhões na economia em 2026, com impacto de 0,7 ponto percentual no crescimento. Entre as iniciativas estão:

  • expansão do Crédito do Trabalhador;
  • isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física;
  • ampliação do Minha Casa Minha Vida;
  • programa Luz para Todos;
  • Gás do Povo;
  • liberação de compulsório da Poupança;
  • Saque-Aniversário;
  • crédito para reformas.

CONTAS PÚBLICAS

Economistas do mercado financeiro avaliam que não houve corte relevante de gastos. As despesas totais passaram de 18% do PIB no início de 2023 para 19,5% no mesmo ano. Em 2024, recuaram para 18,7%, ainda acima do patamar do governo anterior.

A arrecadação recorde com aumento de tributos não compensou o avanço das despesas. Projeções indicam resultado negativo das contas públicas em 2025 e 2026.

O governo central –governo federal e Banco Central– registrou deficit primário de R$ 53,5 bilhões no acumulado de 12 meses até novembro. No início de 2023, havia superavit de R$ 54,9 bilhões.

Haddad culpa gestões anteriores por desconsiderar, no orçamento de 2023, despesas com Bolsa Família, precatórios, dívida com governadores, Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e outros.

O ministro afirmou que o deficit acumulado do quadriênio será 70% menor que o do governo Bolsonaro, período marcado pela pandemia.

No acumulado de 12 meses até novembro, o deficit nominal anualizado –que inclui juros– chegou a R$ 1,027 trilhão. No governo central, o saldo negativo foi de R$ 925 bilhões. A DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) atingiu R$ 10 trilhões.

Em relação ao PIB, a dívida bruta subiu de 71,7% no fim do governo Bolsonaro para 79,0% em novembro de 2025. O deficit nominal avançou de 4,5% para 7,3% do PIB.

A dívida crescente é a “âncora” que impede uma queda mais vigorosa dos juros. Haddad deixa o cargo tendo conseguido aprovar o arcabouço fiscal, em 2023, mas sob o questionamento se as regras atuais são suficientes para conter a inércia dos gastos públicos em um ambiente político que prioriza o ciclo eleitoral em detrimento da austeridade.

POLÍTICA MONETÁRIA

O país terá a menor inflação para um mandato desde a criação do real, como já noticiou o Poder360. A inflação acumulada do mandato deve ficar próxima de 19,0%, segundo a Austin Rating, o menor nível desde a criação do real para um governo. No 2º mandato de Lula, o IPCA acumulado foi de 22,2%.

A inflação foi de 4,26% no acumulado de 12 meses até novembro. Permaneceu acima do teto da meta por 22 meses de janeiro de 2023 a dezembro de 2025.

A meta de inflação ficou mais exigente neste mandato de Lula. O objetivo caiu para 3%, com tolerância de 1,5% a 4,5%. Além disso, a autonomia do Banco Central na decisão da taxa básica, a Selic, possibilitou uma maior credibilidade da política monetária para conter as expectativas futuras.

O crescimento dos gastos públicos e a desconfiança no marco fiscal para reverter a trajetória de alta da dívida pública impactou as expectativas futuras. O mercado e as empresas avaliam se o governo conseguirá arcar com suas dívidas ou se precisará se refinanciar com mais juros ou impressão de dinheiro.

Se o governo gasta demais, o Banco Central pode atuar para manter os juros altos por mais tempo para conter a inflação provocada pelos gastos. Os agentes financeiros olham para o futuro e estimam que, com mais despesas e com mais juros, a dívida subirá e o risco de calote aumenta.

A taxa básica, a Selic, subiu para 15% ao ano em junho, patamar que permanece até agora. Na próxima 4ª feira (28.jan.2026), o Copom (Comitê de Política Monetária) deverá manter o juro base no mesmo nível. O Brasil tem o 2º maior juro real –descontada a inflação– do mundo.

A Austin Rating calcula que os juros acumulados do quadriênio somarão 60,8%, o maior nível desde 2003 a 2006. No governo Bolsonaro, a média foi de 32,5%, quando o Banco Central reduziu a Selic para 2% para estimular a economia na pandemia.  

A política monetária contracionista teve impactos mais fortes na economia em 2025. O PIB do Brasil registrou um desaquecimento econômico em 2025. Também é esperado um enfraquecimento da economia em 2026. A taxa anualizada de crescimento cedeu para 2,7% no 3º trimestre de 2025. O FMI (Fundo Monetário Internacional) estima alta de 1,6% no fim de 2026.

MERCADO DE TRABALHO

Haddad deixará o cargo com taxa de desemprego a 5,2% no trimestre encerrado em novembro. A população ocupada foi de 103,0 milhões, um recorde na série histórica, iniciada em 2012. O rendimento real habitual de todos os trabalhos somou R$ 3.574, valor máximo já registrado. Apesar dos juros altos, a economia opera com uma resiliência surpreendente.

CONTAS EXTERNAS

O deficit em transações correntes somou US$ 77,7 bilhões no acumulado de 12 meses até novembro. O IDP (Investimento Direto no País) alcançou US$ 84,3 bilhões no período.

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