Há pouco mais de um ano, o banco suíço Julius Baer, um dos líderes no segmento de wealth management, vendeu suas operações brasileiras por R$ 615 milhões para o BTG Pactual. Apesar de planejada, a operação contribuiu para uma queda forte no lucro líquido anual do banco, segundo balanço financeiro divulgado na manhã de segunda-feira, 2 de fevereiro.
O indicador totalizou 764 milhões de francos suíços (cerca de R$ 5,17 bilhões) ao longo de 2025, recuo de 25% em relação ao ano anterior, após 213 milhões de francos suíços em prejuízo (R$ 1,44 bilhão) com crédito e perda de benefícios fiscais registrados em 2024. Nesse total, o Brasil foi responsável por 99 milhões de francos (R$ 670 milhões).
Sem levar em consideração esses fatores, que foram considerados pelo banco como “amplamente esperados”, o lucro antes de impostos da instituição registrou um crescimento de 17%, atingindo 1,27 bilhão de francos suíços. O montante foi favorecido por maior receita com tarifas, maior volume de negociações de clientes e um controle de custos mais rigoroso por parte do banco.
Nessa toada, os ativos sob gestão da instituição cresceram 5%, atingindo o recorde de 521 bilhões de francos suíços, com a alta dos mercados acionários e maior entrada de recursos provenientes de regiões da Ásia, como Cingapura e Hong Kong.
Mesmo assim, a receita operacional do banco recuou em 3%, para 3,8 bilhões de francos suíços.
“Estou muito satisfeito com o impulso positivo criado em toda a organização e com os avanços concretos alcançados em diversas frentes — desde a simplificação do nosso modelo operacional e o maior foco no cliente até o fortalecimento da governança e a renovação da nossa equipe de liderança”, afirmou Stefan Bollinger, CEO do Julius Baer, no documento.
“Em suma, 2025 foi um ano de transição bem-sucedido, que nos coloca em um caminho sólido para alcançar nossas metas de médio prazo”, complementou.
Bollinger tem trabalhado ativamente para reconstruir a imagem do banco, manchada após o seu antecessor, Philipp Rickenbacher, conceder empréstimos arriscados, que envolviam exposição a dívidas privadas, em uma estratégia mais agressiva da instituição.
Essa aposta custou ao banco 606 milhões de francos suíços em 2024, após o grupo Signa, que pertencia ao austríaco René Benko, colapsar. O Julius Baer era um de seus financiadores.
Agora, o foco do banco é voltar a entregar crescimento no lucro nos próximos dois anos. Até o momento, o Julius Baer não anunciou um novo programa de recompra de ações, que segue em análise pela atual gestão.


