Uma legista britânica concluiu nesta 4ª feira (12.fev.2025) que Lucy Harrison, 23 anos, foi morta pelo pai em um caso de homicídio culposo por negligência grave. A jovem compradora de moda foi baleada no peito em 10 de janeiro de 2025 na casa de Kris Harrison em Prosper, Texas, após uma discussão sobre o então presidente eleito Donald Trump (Partido Republicano). As informações são da BBC.
A legista Jacqueline Devonish afirmou que Kris Harrison agiu de forma imprudente ao apontar uma pistola Glock semiautomática para a filha sem verificar se estava carregada e puxar o gatilho. A conclusão foi anunciada no Tribunal do Legista de Cheshire após inquérito de 2 dias.
“Atirar no peito dela enquanto estava de pé exigiria que ele apontasse a arma para a filha, sem verificar se havia balas, e puxasse o gatilho. Considero essas ações imprudentes”, declarou a legista.
Nos Estados Unidos, um júri popular do Condado de Collin não indiciou Kris Harrison por falta de provas suficientes. Não houve processo criminal no Texas.
Sam Littler, namorado de Lucy que a acompanhava na viagem, testemunhou que o casal discutiu com Kris sobre posse de armas e política norte-americana na manhã em que retornariam ao Reino Unido.
Durante o desentendimento, Lucy questionou como o pai reagiria se ela fosse vítima de agressão sexual. Kris respondeu que, por ter outras duas filhas morando com ele, isso não o incomodaria significativamente.
Cerca de 30 minutos antes da partida para o aeroporto, Littler viu Kris conduzir a filha pela mão até seu quarto no térreo. Um forte barulho foi ouvido cerca de 15 segundos depois.
“Entrei correndo no quarto. Lucy estava no chão perto da entrada do banheiro. Kris gritava coisas sem sentido”, relatou Littler.
O inquérito mostrou que Kris Harrison é um alcoólatra funcional e havia bebido vinho no dia do crime. Ele afirmou à polícia que a arma “simplesmente disparou” quando a pegou para mostrar à filha.
Jane Coates, mãe de Lucy, afirmou após a audiência: “O resultado de hoje finalmente devolveu a voz a Lucy após um ano de profundo choque, dor e luta”.
Coates descreveu a filha, que trabalhava para a marca de moda Boohoo, como uma “verdadeira força da natureza” apaixonada por debater assuntos importantes.
Kris Harrison não compareceu ao inquérito. Sua representante legal, Ana Samuel, argumentou que o procedimento “se assemelhava mais a uma investigação criminal do que a um inquérito”.
Por meio de advogados, Kris divulgou comunicado: “Aceito plenamente as consequências dos meus atos. Não há um dia em que eu não sinta o peso dessa perda”. Ele acrescentou que busca honrar Lucy “sendo o melhor pai que posso ser para as irmãs dela”.


