Escolas brasileiras, públicas e particulares, já proibem o uso de celulares em suas dependências — Foto: Drazen Zigic/Getty Images
Algumas das empresas de tecnologia que ajudaram a criar a dependência de telas estão agora tentando mudar essa dinâmica investindo em outros dispositivos, segundo o Business Insider.
A OpenAI, por exemplo, planeja lançar ainda neste ano um pequeno dispositivo sem tela que Sam Altman, CEO da empresa, descreve como mais “tranquilo” que um smartphone. “Quando uso dispositivos atuais ou a maioria dos apps, sinto como se estivesse andando pela Times Square, em New York, lidando o tempo todo com pequenas indignidades pelo caminho”, disse Altman em novembro.
O dispositivo da OpenAI seria menos Times Square e mais “sentar na cabana mais bonita à beira de um lago e nas montanhas, curtindo a paz e a calma”. Isso porque o dispositivo aprenderia a “consciência contextual de toda a sua vida” e quando é melhor enviar alertas.
A Apple está desenvolvendo óculos inteligentes, um pingente e fones com mais IA embutida, segundo reportagem da Bloomberg. Os pingentes com microfones e câmeras seriam os “olhos e ouvidos” do iPhone.
Já a Meta vem apostando nos óculos de realidade aumentada totalmente imersiva desde 2024. Embora esse dispositivo não tenha data de lançamento, a empresa vendeu cerca de 7 milhões de pares de seus óculos inteligentes no ano passado.
E onde entra a inteligência artificial nessa história?
Desde que Steve Jobs conseguiu reunir iPod, telefone e internet em um aparelho de 3,5 polegadas em 2007, o fascínio pelos smartphones só cresceu. Porém, trouxe também o excesso de tempo de tela e suas consequências, como sono prejudicado, ansiedade e atenção fragmentada. Agora, desenvolvedores esperam que o boom da IA traga a próxima grande novidade.
Mas, para isso, novos dispositivos de IA não podem apenas copiar o que smartphones fazem, diz Ramon Llamas, diretor de pesquisa da IDC, ao Business Insider. Eles precisam mostrar que resolvem um problema do dia a dia. Caso contrário, diz Llamas, “essas coisas vão acabar sendo soluções à procura de um problema para resolver”.
Além disso, terão que lidar com outras questões. Um dispositivo de IA projetado para algo muito específico, como ouvir uma reunião e depois enviar e-mails ou mensagens de acompanhamento com os pontos de ação discutidos, pode poupar tempo e evitar e-mails e mensagens. Mas o mesmo dispositivo, ouvindo conversas pessoais com família e amigos, pode comprometer relações e corroer os efeitos positivos de mandar uma mensagem para saber como o outro está.
Outra questão é: usar microfones e câmeras em interações sociais e em empresas provavelmente vai deixar algumas pessoas ao redor bem desconfortáveis.
Vale lembrar que outros wearables de IA falharam. A Humane AI vendeu um broche vestível por US$ 700 mais uma mensalidade de conexão, mas o retirou do mercado há um ano. O pingente AI Friend, que não navega na internet nem ajuda em tarefas além de lembretes e funciona mais como um “ouvinte” bajulador no pescoço do usuário, foi alvo de zombaria e vendeu apenas alguns milhares de unidades após chegar ao mercado no ano passado.
Empresas que tentam criar hardware de IA deveriam focar em “recursos transformadores”, diz Jason Low, diretor de pesquisa da Omdia. Wearables de IA precisam ser mais do que “um pouco mais convenientes”, integrar-se aos produtos existentes e ter valor claro e declarado.
Por exemplo, óculos com tradução de idiomas em tempo real ou dispositivos de fitness e saúde oferecem recursos que smartphones não fazem tão bem. O anel da Oura continua ganhando popularidade, especialmente entre mulheres depois de começar como um gadget de nicho. “Esses dispositivos geralmente entregam uma experiência de usuário mais polida em comparação a dispositivos de IA generalistas”, diz Low.
Llamas afirma que as funções de IA de um wearable precisam ser “contextuais, personalizadas e acionáveis”, como lembrar o usuário de enviar flores de aniversário ou indicar corretamente a cafeteria Starbucks mais próxima. Um dispositivo de primeira geração não deveria tentar substituir o smartphone, mas integrar-se aos ecossistemas da Google ou da Apple, diz ele.
Procuradas pelo Business Insider, Apple e OpenAI não responderam a pedidos de comentário sobre os rumores de seus produtos.


