O influenciador Felipe Bressanim Pereira, o Felca, propôs em a criação de um disque-denúncia nacional para casos de maus-tratos contra animais. Ele deu a sugestão após o caso do cão comunitário Orelha, que morreu em janeiro, vítima de agressão.
Além do vídeo, o youtuber criou uma petição na plataforma Change.org em 11 de fevereiro propondo uma linha telefônica 24 horas para receber queixas anônimas. Até o fechamento desta reportagem, 770.489 assinaturas já haviam sido colhidas em apoio à iniciativa.
Assista ao vídeo (1min7s):
Felca também publicou uma carta aberta com a proposta. Nela, o influenciador afirma que “o caso do cachorro Orelha revelou, de forma incontornável, a vulnerabilidade daqueles que dependem exclusivamente da nossa capacidade de reconhecer sua existência, sua dor e seu direito à proteção”.
Segundo a carta, apesar da atenção pública que o caso recebeu, os “criminosos seguem sem ser punidos” pela agressão, o que evidenciaria a necessidade de criar ferramentas mais eficientes para atuar na proteção animal.
“Consideramos a adesão da petição para solicitar que seja avaliada pelo Ministério Público a viabilidade de implementação de um canal telefônico específico de disque-denúncia para casos de maus-tratos contra animais em âmbito estadual e/ou com integração entre os entes federativos”, diz o texto.
A carta é apoiada por 8 organizações voltadas para o cuidado de animais.
Leia a íntegra do documento:
No vídeo, Felca falou sobre a dificuldade atual de relatar casos de maus-tratos contra animais no Brasil. “Você tem que ligar para a Polícia Civil, registrar BO [Boletim de Ocorrência], ter flagrante, postar um vídeo na internet e contar que o caso viralize. A maioria desiste pelo trabalho que dá e quem sofre é o animal”, disse.
Felca ganhou notoriedade nacional em agosto de 2025, após publicar um vídeo de quase 50 minutos sobre a exposição infantil em redes sociais.
O conteúdo viralizou ao abordar a exploração comercial, a erotização precoce e a omissão das plataformas diante de vídeos que atraem pedófilos —fenômeno que ele chamou de “adultização”. O vídeo alcançou mais de 52 milhões de visualizações e cerca de 298 mil comentários.
O alcance do tema resultou na criação de uma lei. Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou um projeto vindo do Congresso que instituiu um ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) digital, com medidas de proteção de crianças e adolescentes em ambientes on-line, incluindo ferramentas de controle parental, proibição de loot boxes (caixas de recompensas) e canais de relatos de abusos.


