A comunidade da Ethereum Foundation confirmou a inclusão da proposta FOCIL no upgrade Hegota, previsto para o segundo semestre de 2026.
A medida promete reforçar a resistência à censura da rede, mas também levanta preocupações legais para validadores.
FOCIL significa “Fork-Choice Enforced Inclusion Lists”, na prática, a proposta obriga validadores a incluir todas as transações enviadas à rede. Isso inclui operações associadas a endereços sancionados pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA.
A confirmação ocorreu na última reunião de desenvolvedores principais. O pesquisador Alex Stokes, da Ethereum Foundation, confirmou a decisão.
Segundo Jihoon Song, também pesquisador da fundação, a mudança é estratégica.
Hoje, basta que um único validador inclua uma transação para que ela seja processada. Entretanto, o FOCIL transforma essa possibilidade em obrigação protocolar. Portanto, a neutralidade deixa de depender de decisões individuais.
O upgrade Hegota sucede o Glamsterdam, ele traz ainda outras propostas estruturais. Entre elas, estão o Enshrined Proposer-Builder Separation e listas de acesso em nível de bloco.
A resistência à censura é um dos pilares do Ethereum. Além disso, sustenta a narrativa de rede descentralizada e sem permissões.
Durante as sanções ao Tornado Cash, cerca de 90% dos validadores deixaram de incluir transações ligadas ao protocolo, segundo críticos da proposta. Ainda assim, algumas operações foram confirmadas porque poucos validadores aceitaram processá-las.
Com o FOCIL, esse cenário muda. Validadores não poderão escolher ignorar transações válidas. Por isso, defensores argumentam que a rede se tornará mais neutra.
Nem todos apoiam a mudança, Ameen Soleimani, fundador do Privacy Pools, afirma que os benefícios podem estar superestimados.
Segundo ele, validadores baseados nos Estados Unidos poderiam enfrentar problemas legais ao processar transações ligadas a endereços sancionados. Portanto, o risco regulatório pode aumentar.
Por outro lado, desenvolvedores influentes defendem a proposta. O cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, declarou que o FOCIL pode fortalecer protocolos de privacidade quando combinado com a proposta Frame Transactions.
Já o desenvolvedor Tim Clancy chamou o FOCIL de “a proposta mais importante para o Ethereum”. Em sua avaliação, a mudança garante a neutralidade do espaço em bloco.
O debate ocorre em um momento de maior pressão regulatória global. Além disso, cresce a preocupação com concentração de validadores em grandes operadores institucionais.
Se aprovado como planejado, o Hegota pode redefinir a relação entre descentralização e conformidade regulatória. A decisão, portanto, não é apenas técnica. Ela toca no núcleo político e econômico do Ethereum.
No fim, a discussão sobre FOCIL revela um dilema clássico das blockchains públicas: manter neutralidade absoluta ou adaptar-se às exigências estatais. O segundo semestre de 2026 pode marcar um novo capítulo nessa disputa.
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