A guerra entre Rússia e Ucrânia chega ao seu 5º ano nesta 3ª feira (24.fev.2026) com impactos sobre civis, militares e infraestrutura. O conflito se consolidou como a guerra ininterrupta entre Estados mais duradoura na Europa desde a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), com impacto devastador sobre civis, militares e infraestrutura.
Dados levantados pelo Poder360 indicam que o custo humano acumulado — incluindo mortos, feridos, desaparecidos e deslocados— já chega a 10 milhões de pessoas. Os dados são da ONU e da ONG Human Rights Watch.
Além disso, a Rússia mantém o controle de aproximadamente 20% do território ucraniano, cerca de 120 mil km², enquanto a linha de frente se estabilizou em uma guerra de atrito, com avanços russos calculados entre 15 e 70 metros por dia em ofensivas recentes. Esses dados foram compilados pelo United24 Media, plataforma vinculada ao governo ucraniano que acompanha e divulga estatísticas sobre a guerra. O país também já teve 50% da sua geração de energia comprometida.
As negociações ainda não conseguiram conciliar as exigências de ambos os países. Para a Ucrânia, a paz também é assegurar que o avanço russo não se repetirá. Kiev busca garantias de segurança rígidas, incluindo a manutenção de sua soberania e a possibilidade de contar com alianças internacionais para proteção, como a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) –aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos.
O país insiste que qualquer cessar-fogo deve ser acompanhado de mecanismos que impeçam a violação de tratados. Oleg Vlasenko, ministro-conselheiro da Ucrânia no Brasil, destaca o ceticismo ucraniano em relação a compromissos históricos: “A Ucrânia entregou o 3º maior arsenal nuclear do mundo em troca de promessas. Não podemos repetir esses erros, e por isso as garantias devem ser muito sérias”.
Para Moscou, a “Operação Especial Militar” –termo preferido pelo Kremlin– só terminará quando as preocupações estratégicas forem atendidas. O embaixador Alexey Kazimirovitch Labetskiy condiciona o cessar-fogo à neutralidade ucraniana.
“O que nos interessa é estabelecer a paz e proteger os direitos do povo russo, de nosso país e da identidade russa. Não nos interessa o alargamento da Otan. […] O cessar-fogo que teria como único objetivo permitir o rearmamento do governo ucraniano não nos convém”, declara.
Outro ponto do Kremlin seria a realização de eleições na Ucrânia sob supervisão e alinhamento com a “nova ordem”, como mencionado por Labetskiy, uma medida criticada por Kiev como tentativa de ingerência.
O professor Thomas Ferdinand Heye (UFF/INEST) avalia que o conflito “assinala a ruptura com uma ordem mundial liberal, pautada no Direito Internacional, no multilateralismo e no repúdio à guerra de conquista”.
Vlasenko alerta para os riscos europeus: “A Ucrânia é um problema para a Rússia e outros países europeus podem ser os próximos alvos do regime de Putin. A ideia de Putin é renascer o império russo”.
Labetskiy relativiza: “Nós não podemos romper com a Europa. Nós somos uma parte da Europa e sempre seremos, por causa da cultura e literatura. Os europeus pensaram que podiam diminuir a Rússia, mas devem reconhecer que temos nossa própria identidade”.
Para Moscou, as sanções internacionais tiveram efeito limitado e impulsionaram a indústria doméstica. Labetskiy afirma:
“O efeito foi inesperado. As sanções levaram à criação das condições de desenvolvimento de várias áreas de indústria, agricultura, ciência e produção. Os números de crescimento econômico em 2023, 2024 e 2025 certificam que a economia está em ascensão. A indústria militar está muito forte porque precisamos garantir o fornecimento para as tropas”.
Ele critica o impacto das restrições sobre a própria Europa, enquanto o petróleo, principal fonte de receita russa, sofreu redução nas exportações para o continente, mas Moscou conseguiu compensar parcialmente vendendo a preços altos a mercados alternativos.
Na Ucrânia, o impacto econômico é alto. Segundo Vlasenko: “Cada uma das fábricas da siderurgia está ocupada. A agricultura não está funcionando plenamente e o Mar Negro está bloqueado de navios militares para o nosso trigo. O problema é que a maioria dos que saíram são mulheres e crianças, o que causa problemas para a renovação da nossa economia”.
O custo estimado da reconstrução já alcança US$ 588 bilhões. O professor de Relações Internacionais e Estudos Estratégicos da UFF Eurico de Lima Figueiredo declara que “a Rússia reciclou sua economia e adensou relações com a China”, enquanto a Ucrânia enfrentará “décadas de reconstrução nacional” e dependerá de ajuda externa.
No cerne do conflito está a disputa sobre a própria existência da Ucrânia. Labetskiy defende a unidade cultural entre russos e ucranianos: “Para mim, pessoalmente, não há diferença entre o russo e o ucraniano. As tentativas de criar artificialmente as diferenças resultaram no choque das culturas”.
Vlasenko rebate: “Sofremos toda a nossa história opressão. Prefiro ser vizinho do que irmão, se o irmão mata o seu irmão menor. Não queremos ser irmãos menores sob opressão”.
O cenário internacional também se movimento e é marcado pelo novo mandato de Donald Trump (Partido Republicano) nos EUA. Para Vlasenko, a continuidade do apoio norte-americano é vital:
“Estamos trabalhando muito, muito duramente, quase que constantemente, para explicar nosso caso ao povo, incluindo ao público brasileiro, e pedir ajuda e apoio. É necessária a força da opinião pública na luta nesta grande guerra”.
Para Labetskiy, o governo Trump representa uma oportunidade para pragmatismo:
“Não é mais questão de ser simpático ou menos agressivo à Rússia, mas mais pragmático. Os EUA parecem não querer financiar a Ucrânia contra a Rússia”.
O conflito começou em 24 de fevereiro de 2022, com a invasão russa ao território ucraniano. A guerra envolve disputas militares, econômicas, geopolíticas e culturais. Há consequências sociais e diplomáticas de longo prazo, incluindo o deslocamento de milhões de refugiados, tanto internos quanto externos, mudanças nas políticas de segurança da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) –a aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos– e debates sobre soberania territorial e direitos humanos.
A comunidade internacional, com ênfase nos EUA e na UE (União Europeia), monitora o desenrolar do conflito, que parece distante de um desfecho.
A guerra impactou diretamente a economia regional e global, provocando inflação, interrupções nas cadeias produtivas e flutuações nos preços de energia e de alimentos.
Países aliados da Ucrânia passaram a fornecer apoio militar, financeiro e humanitário, ao mesmo tempo em que impuseram restrições econômicas e políticas à Rússia, buscando limitar sua capacidade de sustentar o esforço de guerra. Entre essas medidas estão a redução da compra de petróleo russo –principal insumo exportado pelo país– e restrições a setores estratégicos da economia.
Nos últimos meses, no entanto, o apoio internacional à Ucrânia tem dado sinais de perda de fôlego, seja por entraves políticos internos em países aliados, seja pelo desgaste econômico e social provocado por um conflito prolongado. A diminuição da ajuda militar e financeira e o recuo do apoio norte-americano impõem desafios adicionais a Kiev, que depende de auxílio externo para sustentar o esforço de guerra, repor equipamentos e manter sua capacidade de defesa.
Para a Europa, o cenário traz consequências diretas, como o aumento dos gastos com defesa, a pressão sobre orçamentos públicos e a necessidade de redefinir estratégias de segurança energética e política externa em um contexto de instabilidade prolongada no continente.
Nos EUA, o conflito se insere em um debate interno cada vez mais polarizado, que envolve prioridades econômicas, disputas eleitorais e o papel do país como fiador da segurança europeia.
No caso russo, a guerra reforça uma economia voltada ao esforço militar, amplia sua dependência de parceiros fora do Ocidente e aprofunda o isolamento diplomático, ao mesmo tempo em que o Kremlin consolida ganhos territoriais e projeta resiliência diante das sanções internacionais.
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