Javier Tebas, presidente da La Liga, afirmou nesta 4ª feira (25.fev.2026) em entrevista ao Globo Esporte que Vini Jr. se tornou um dos principais líderes no combate ao racismo no futebol europeu. Segundo ele, essa atuação explica o aumento dos insultos racistas contra o jogador do Real Madrid.
“Creio que Vinicius tem mais insultos racistas porque se converteu num líder contra o racismo. É um homem muito claro nesse aspecto, não tem dúvidas, é valente em suas manifestações, suas atitudes, seus feitos, na sua luta contra o racismo. É muito por essas circunstâncias”, afirmou.
O presidente da La Liga reconheceu que a federação espanhola não desenvolvia ações adequadas contra o racismo antes dos episódios envolvendo o atacante brasileiro. Tebas admitiu que as medidas adotadas anteriormente eram insuficientes. “Porque com o caso do Vinicius nos demos conta de que não fazíamos o suficiente. Havia uma situação que tínhamos que mudar. Não podemos seguir igual”, disse.
O dirigente avaliou que outras competições europeias precisam intensificar o trabalho contra o preconceito racial no futebol. “Acredito que esse trabalho terá que ser feito em mais competições”, afirmou Javier Tebas.
Vini Jr. denunciou ato racista praticado pelo atacante Prestianni durante partida entre Benfica e Real Madrid na 4ª feira (17.fev). O jogo foi válido pelos playoffs da Champions League. A Uefa suspendeu provisoriamente o jogador argentino. O atacante brasileiro estará em campo nesta 4ª feira (25.fev.2026) pelo Real Madrid. O time enfrenta o Benfica por vaga nas oitavas de final da Champions League.
Vini Jr. já sofreu outros ataques racistas. O 1º registro na Europa foi em outubro de 2021, no clássico entre Barcelona e Real Madrid, no Camp Nou. Houve denúncia, mas o processo foi arquivado. Em março de 2024, torcedores do Atlético de Madrid o chamaram de “chimpanzé” nos arredores do Estádio Metropolitano, antes do jogo contra a Inter de Milão pela Liga dos Campeões da Uefa. O caso mais recente foi contra o Albacete, na Copa do Rei.
A legislação espanhola não permite à La Liga punir torcedores, jogadores ou clubes por racismo. A organização envia denúncias ao Comitê de Competições da Real Federación Española de Fútbol, ao Ministério do Esporte, ao Ministério Público e à Justiça, responsáveis pelas sanções.
O presidente da liga já defendeu perda de pontos no Campeonato Espanhol. Hoje, propõe o fechamento de arquibancadas ou estádios, caso tivesse poder para aplicar punições. “Fechar as arquibancadas seria muito importante. É preciso retirar dos estádios quem insulta e impedir a entrada de grupos identificados também por atos fora deles”, disse.
A 1ª sentença por racismo no futebol espanhol saiu em 2024, ligada a caso no estádio Mestalla. Há 5 condenações até agora. Na semana passada, o Supremo Tribunal da Espanha fixou que insultos racistas contra imigrantes configuram crime de ódio, em decisão relacionada a ameaças a Vini Jr.
Em agosto de 2023, a liga criou a plataforma “LALIGA VS Racism” para centralizar ações e denúncias. Em setembro de 2024, liga e federação adotaram o protocolo da Fifa para incidentes públicos de racismo, aprovado em maio daquele ano.
Levantamento do Observatório Espanhol de Racismo e Xenofobia sobre 2024/25 identificou mais de 33.400 casos de discurso de ódio nas redes. Lamine Yamal recebeu 60% das mensagens; Vini Jr., 29%.


