Já foi o tempo de criticar a IA; agora é o momento de aproveitar a tecnologia — Foto: Tara Winstead/Pexels
Para algumas pessoas, falar de inteligência artificial virou quase um jogo de apontar erros. A imagem tem seis dedos. O texto parece artificial. O vídeo é fake. Isso virou uma espécie de conforto coletivo: enquanto a IA errava, nós nos sentíamos seguros.
Mas insistir nesse tipo de crítica é como reclamar que o GPS erra uma rua enquanto todo mundo já está usando navegação em tempo real para decidir rotas, horários e até estratégias de negócio. O problema não é mais o erro da máquina. É o atraso humano em aprender a trabalhar com ela.
A IA, no mundo corporativo,deixou de ser uma pesquisa tecnológica para se tornar uma infraestrutura de trabalho. Ela não está mais apenas criando imagens ou textos isolados. Está organizando processos, conectando ferramentas, sintetizando decisões, estruturando conhecimento e acelerando ciclos inteiros de produção intelectual.
O ponto é desenvolver como você pede, valida, integra e usa o que ela entrega.
Empresas que já entenderam isso não tratam a IA como um oráculo criativo, mas como um sistema operacional de produtividade. Elas estruturam boas instruções, definem critérios de qualidade, pedem justificativas, exigem consistência e, principalmente, colocam a IA dentro de fluxos reais de trabalho, como um colaborador supervisionado.
Esse será 2026.
A diferença entre quem “usa IA” e quem trabalha com IA está na capacidade de transformar intenção em instrução, resposta em decisão e conteúdo em ativo reutilizável. Não se trata de saber escrever um prompt “esperto”, mas de entender contexto, restrições, riscos e objetivos de negócio.
É por isso que as discussões, para quem virou a chave, não giram em torno de imagens perfeitas ou textos impressionantes. Elas falam de automação com controle, de assistentes especializados por tarefa, de sistemas que conversam com documentos reais, de transformação de um mesmo conhecimento em múltiplos formatos desde relatórios, apresentações, vídeos até decisões executivas.
E talvez esse seja o ponto desconfortável para muitos profissionais: quando a IA deixa de errar de forma visível, ela também deixa de servir como desculpa. Não dá mais para dizer “isso é coisa de quem tem tempo” ou “ainda não está pronta”. Ela está pronta o suficiente para quem está disposto a aprender a usá-la com método.
Nesse cenário, vem a frase clichê, o risco não é ser substituído por uma IA. O risco é ser substituído por alguém que sabe trabalhar melhor com ela.
Assim como aconteceu com planilhas, com apresentações, com ferramentas de análise de dados e com a própria internet, a vantagem competitiva nunca esteve na tecnologia em si, mas na fluência. Na capacidade de transformar ferramenta em resultado.
A pergunta não é mais se a IA vai errar. Ela vai! A pergunta real é: você sabe estruturar o trabalho de forma que, mesmo errando, ela gere valor?
* Rogerio Melfi é CPO do PilotIn, fintech que ajuda os brasileiros a se tornarem pilotos das suas vidas financeiras


