Uma salamandra axolote no Centro de Terapias Regenerativas na Universidade de in Dresden, Alemanha Arno Burgi/picture alliance via Getty Images Os axolotes Uma salamandra axolote no Centro de Terapias Regenerativas na Universidade de in Dresden, Alemanha Arno Burgi/picture alliance via Getty Images Os axolotes

Axolotes viralizam nas redes sociais e se transformam em ícones de consumo; conheça as simpáticas salamandras mexicanas

2026/01/22 02:49
Uma salamandra axolote no Centro de Terapias Regenerativas na Universidade de in Dresden, Alemanha — Foto: Arno Burgi/picture alliance via Getty Images Uma salamandra axolote no Centro de Terapias Regenerativas na Universidade de in Dresden, Alemanha — Foto: Arno Burgi/picture alliance via Getty Images

Os axolotes estão em toda parte. Viraram bichos de pelúcia, estampam roupas, aparecem em jogos como Minecraft e Fortnite, inspiram personagens de animação e até figuram na cédula de 50 pesos do México. Mas há um paradoxo no centro desse sucesso: quanto mais famosos se tornam, mais raros ficam em seu habitat natural.

Reportagem do The Guardian mostra como a salamandra nativa do México se transformou em um símbolo global da cultura pop ao mesmo tempo em que caminha para o desaparecimento na natureza.

Um animal feito para viralizar

Uma salamandra Axolote em aquário de Madri, na Espanha — Foto: Marcos del Mazo/LightRocket via Getty Images Uma salamandra Axolote em aquário de Madri, na Espanha — Foto: Marcos del Mazo/LightRocket via Getty Images
Continuar lendo

Com aparência juvenil permanente, sorriso largo e guelras externas que parecem plumas, o axolote reúne tudo o que a cultura digital valoriza: traços “fofos”, fácil antropomorfização e alto potencial de reprodução comercial. O resultado é um fenômeno de mercado.

Mais de mil produtos com a imagem do animal estão listados apenas no site do Walmart. Ele aparece em brinquedos, roupas, luminárias, objetos escolares e campanhas publicitárias. Segundo The Economist, o axolote se tornou uma “megastar global”.

“Eles têm esse efeito imediato: você olha e sorri de volta”, diz Nicole Rowe, que mantém um centro de resgate de axolotes no Reino Unido e abriga cerca de 30 exemplares em casa.

Da ciência à fantasia

O fascínio não é só estético. Axolotes são conhecidos por uma habilidade rara no reino animal: conseguem regenerar membros, órgãos internos e até partes do cérebro. Essa capacidade os transformou em objeto central de pesquisas em medicina regenerativa.

Luminária infantil no formato de axolote — Foto: Divulgação Luminária infantil no formato de axolote — Foto: Divulgação

“A aparência chama atenção, mas quando você entende o que eles conseguem fazer biologicamente, é impressionante”, afirma Aida Rodrigo Albors, pesquisadora da Universidade de Edimburgo, que estuda regeneração de tecidos a partir do axolotl.

O animal também nunca passa pela metamorfose típica dos anfíbios: cresce, vive por décadas e permanece com características larvais — um detalhe que reforça sua aura quase mítica.

Popularidade doméstica, colapso selvagem

Participante do programa The Masked Singer se apresenta usando uma fantasia de Axomolote — Foto: Andreas Rentz/Getty Images Participante do programa The Masked Singer se apresenta usando uma fantasia de Axomolote — Foto: Andreas Rentz/Getty Images

Enquanto a espécie prospera em aquários, jogos e algoritmos, sua situação na natureza é dramática. O axolotl é hoje criticamente ameaçado de extinção.

Seu último reduto natural é o sistema de canais de Xochimilco, no sul da Cidade do México. Em 1998, havia cerca de 6 mil axolotes por quilômetro quadrado. Em 2014, esse número caiu para apenas 36.

Urbanização, poluição da água e a introdução de peixes predadores, como carpas e tilápias, devastaram a população selvagem.

“O axolote doméstico e o selvagem são praticamente animais diferentes”, afirma o ecólogo Luis Zambrano, que estuda a espécie há 25 anos. “O selvagem é marrom, discreto, não sorri — e está desaparecendo.”

O risco da natureza virar cenário

Para Zambrano, o sucesso digital do axolote cria um risco adicional: a sensação de que o animal está seguro porque existe em versões virtuais e comerciais.

Axolotls são vistos em um tanque no lago Xochimilco, na Cidade do México — Foto: Gerardo Vieyra/NurPhoto via Getty Images Axolotls são vistos em um tanque no lago Xochimilco, na Cidade do México — Foto: Gerardo Vieyra/NurPhoto via Getty Images

“Estamos criando um mundo paralelo”, diz. “Se eu tenho o axolote no jogo, no TikTok ou na camiseta, parece que não importa se o real está sumindo.”

A preocupação aumenta com a proximidade da Copa do Mundo, que terá o axolote como mascote em jogos realizados na Cidade do México. O medo é que Xochimilco seja tratado apenas como atração turística, e não como um ecossistema ameaçado.

Fama sem proteção

O contraste com outros símbolos globais da conservação é inevitável. “A popularidade do panda levou a China a criar áreas de proteção reais”, diz Zambrano. “No caso do axolote, a fama ainda não se converteu em preservação.”

Entre pelúcias, avatares e memes, o “monstro da água”, que é como seu nome de origem asteca pode ser traduzido, se tornou um espelho curioso do nosso tempo: celebrado, compartilhado, consumido. E, infelizmente, ignorado onde mais importa.

Mais recente Próxima Por que Trump está estremecendo a ordem global mais do que qualquer outro presidente desde a 2ª Guerra
Oportunidade de mercado
Logo de UMA
Cotação UMA (UMA)
$0.6794
$0.6794$0.6794
-2.92%
USD
Gráfico de preço em tempo real de UMA (UMA)
Isenção de responsabilidade: Os artigos republicados neste site são provenientes de plataformas públicas e são fornecidos apenas para fins informativos. Eles não refletem necessariamente a opinião da MEXC. Todos os direitos permanecem com os autores originais. Se você acredita que algum conteúdo infringe direitos de terceiros, entre em contato pelo e-mail service@support.mexc.com para solicitar a remoção. A MEXC não oferece garantias quanto à precisão, integridade ou atualidade das informações e não se responsabiliza por quaisquer ações tomadas com base no conteúdo fornecido. O conteúdo não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou profissional, nem deve ser considerado uma recomendação ou endosso por parte da MEXC.