Vídeos com movimentos de objetos e sons de animais dominam plataformas voltadas ao entretenimento de pets Getty Images O mercado de entretenimento audiovis Vídeos com movimentos de objetos e sons de animais dominam plataformas voltadas ao entretenimento de pets Getty Images O mercado de entretenimento audiovis

Vídeos para cães e gatos acumulam milhões de visualizações em plataformas de vídeo

2026/02/12 20:48
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Vídeos com movimentos de objetos e sons de animais dominam plataformas voltadas ao entretenimento de pets — Foto: Getty Images Vídeos com movimentos de objetos e sons de animais dominam plataformas voltadas ao entretenimento de pets — Foto: Getty Images

O mercado de entretenimento audiovisual encontrou uma audiência inesperada: os pets. Vídeos criados especificamente para cães e gatos acumulam milhões de visualizações em plataformas como YouTube e serviços de streaming, revelando um fenômeno que mistura mudanças no comportamento dos tutores com oportunidades comerciais ainda pouco exploradas, segundo informa o The New York Times.

No YouTube, um único vídeo mostrando ratos pretos correndo sobre fundo amarelo ultrapassou 150 milhões de visualizações. Outro, com um fio de lã sendo arrastado pela tela ao som de pássaros, registra 3,2 milhões de acessos. Os números impressionam, mas levantam questões sobre quem realmente está assistindo — e por quê.

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Plataformas dedicadas aos animais

A oferta de conteúdo voltado a pets vai além de canais amadores. Serviços como DOGTV, que começou como canal de TV a cabo nos Estados Unidos em 2013, expandiram-se para plataformas de streaming com bibliotecas segmentadas. Há vídeos para diferentes momentos do dia, raças específicas, cães reativos e até conteúdos para dessensibilizar animais a ruídos cotidianos.

Ron Levi, fundador e diretor de conteúdo da DOGTV, afirmou ao The New York Times que a proposta é ajudar cães que ficam sozinhos em casa a se sentirem mais relaxados e menos ansiosos. A empresa conta com cinegrafistas que produzem material original em mais de 20 países.

Plataformas como Roku também disponibilizam aplicativos dedicados, como "Happy Dog TV" e "Relax My Cat", ampliando o acesso a esse tipo de entretenimento.

Preferências animais ainda são um mistério

Apesar do volume de conteúdo disponível, há poucos dados sobre como os pets realmente interagem com as telas. Estudos recentes sugerem que cães preferem assistir a outros cães, em paralelo ao comportamento humano diante da TV.

"Cães gostam de assistir a cães, assim como humanos gostam de assistir a humanos", disse a veterinária oftalmologista Freya Mowat, da Universidade de Wisconsin-Madison, que participou de uma pesquisa sobre o tema publicada em 2024. Segundo o estudo, cães demonstram pouco interesse por vídeos de veículos e interesse moderado por imagens de pessoas, mas reagem melhor a conteúdos com outros animais.

A atenção dos cães, porém, é fragmentada. Pesquisas indicam que eles tendem a prestar atenção em rajadas curtas, de poucos segundos, e não em sessões prolongadas como os humanos. Além disso, nem sempre é possível interpretar suas reações: balançar o rabo ou correr em direção à tela pode indicar tanto excitação quanto medo.

Um estudo publicado em 2025 revelou que cães com temperamentos animados tendem a perseguir objetos que saem da tela, enquanto aqueles com temperamentos medrosos reagem mais a sons como campainhas e trovões. "Você pode estar causando estresse em alguns cães com os vídeos que está exibindo", alertou Jeffrey Katz, cientista cognitivo da Universidade de Auburn e autor do estudo, segundo o New York Times.

Os gatos, como de costume, são ainda menos estudados que os cachorros. A reportagem do New York Times observa que há muito menos pesquisas sobre como os felinos interagem com conteúdo audiovisual, embora vídeos de cordas, pássaros e ratos estejam entre os mais populares para essa audiência. A falta de dados dificulta saber se os gatos realmente apreciam assistir às telas ou se apenas reagem a estímulos visuais instintivamente.

Tutores também são público

O fenômeno não se sustenta apenas pelo interesse dos animais. Para os tutores, os vídeos cumprem funções práticas e emocionais: servem como distração para pets agitados, aliviam a culpa de deixá-los sozinhos e geram conteúdo próprio quando filmam as reações dos bichos.

Marek Jancovic, pesquisador de estudos de mídia da Universidade Vrije, em Amsterdã, observou ao New York Times que assistir aos pets reagindo às telas tornou-se uma categoria de entretenimento em si.

O debate sobre tempo de tela para animais já começou a aparecer em fóruns online, com discussões sobre os limites saudáveis de exposição. Críticos apontam que os vídeos podem ser um paliativo superficial para animais que sofrem de solidão e falta de estímulos adequados.

Futuro interativo

Pesquisadores exploram formas de tornar o conteúdo mais interativo. Ilyena Hirskyj-Douglas, que dirige o laboratório de interação animal-computador da Universidade de Glasgow, desenvolveu o MewTube, um aplicativo em tablet que permite a visitantes de cafés de gatos escolherem vídeos para os felinos. Em outro projeto, ela criou um sistema de cinema doméstico que seu próprio cachorro podia ligar e desligar sozinho, aproximando-se ou afastando-se das telas.

A ideia é dar aos animais mais controle sobre o ambiente, ampliando suas escolhas no dia a dia. Embora ainda experimental, a proposta aponta para um futuro em que os pets possam ter algum comando sobre o que assistem — transformando-os de espectadores passivos em usuários ativos de tecnologia.

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