O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca na 2ª feira (17.fev.2026) para uma viagem de 8 dias à Ásia, com paradas na Índia e na Coreia do Sul. A “Arca de Noé” inclui pelo menos 10 ministros de Estado e 315 empresários brasileiros. A lista pode aumentar.
O Poder360 confirmou que a delegação ministerial inclui Carlos Fávaro (Agricultura), Alexandre Padilha (Saúde), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Esther Dweck (Gestão), Frederico Siqueira (Comunicações) e Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovações). Outros titulares ainda não confirmaram a presença a este jornal digital. Lula retorna ao Brasil no dia 24.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), também irá. O presidente também chamou presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mas eles não irão.
A agenda tem 3 eixos principais:
É a 1ª vez na história que um presidente brasileiro participa de um evento global de alto nível sobre IA. A cúpula, realizada nos dias 19 e 20 de fevereiro em Nova Délhi, espera reunir 40.000 pessoas de 50 países já confirmados entre os 100 convidados.
Lula permanece na Índia até 22 de fevereiro, quando partirá para a Coreia. Além da cúpula de IA, o presidente realiza visita de Estado ao país —a 4ª viagem à Índia e a 2ª do atual mandato. A agenda retribui a visita do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao Brasil em 8 de julho de 2025. Os 2 líderes já se encontraram 4 vezes neste mandato.
Presidentes de empresas como Microsoft, Google, OpenAI, Anthropic, DeepMind, Ericsson e Nvidia confirmaram presença no evento internacional. O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, também participará do encontro. O Brasil e o Japão copresidirão um grupo de trabalho sobre IA segura e confiável durante a cúpula.
No dia 20, Lula participará de um evento paralelo patrocinado pelo governo brasileiro chamado ‘IA para o bem de todos’, com foco nas perspectivas brasileiras para o uso da tecnologia. Estarão presentes ministros das Relações Exteriores, Ciência e Tecnologia, Gestão e Inovação, Educação, Saúde e Comunicações.
No dia 21, a delegação participa do Fórum Empresarial Brasil-Índia, organizado pelo Itamaraty e pela ApexBrasil. O evento terá painéis sobre indústria e minerais estratégicos, mobilidade e transição energética, saúde e farmacêutica, segurança alimentar e inovação agrícola.
Lula deve inaugurar o escritório de representação da ApexBrasil em Nova Délhi. Mais de 300 empresas brasileiras se registraram para participar do fórum.
Durante a visita, será anunciado o reforço político às negociações para ampliação do acordo de comércio Mercosul-Índia, além de entrar em vigor o acordo para extensão da validade de vistos de negócios e turismo de 5 para 10 anos entre os 2 países e o anúncio de uma parceria entre a Embraer e a Adani Defense and Aerospace -uma multinacional indiana.
Lula parte para Seul no dia 22 de fevereiro para visita oficial. É a 3ª viagem do presidente à Coreia do Sul (2005 e 2010 foram as anteriores) e a 1ª visita de Estado. O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, e Lula se encontraram duas vezes em 2025: em junho, no G7, e em novembro, no G20.
No dia 23, os presidentes realizam uma reunião de trabalho e uma reunião ampliada com ministros. Lula passará a palavra a cada ministro para discutir temas de interesse de suas pastas. Os 2 países assinarão um plano de ação trienal de 2026 a 2029 para elevar o relacionamento bilateral à parceria estratégica.
O Fórum Empresarial Brasil-Coreia, organizado pelo Ministério das Relações Exteriores e ApexBrasil junto à Confederação da Indústria Coreana e à Agência de Promoção de Comércio e Investimentos, terá painéis sobre IA, minerais estratégicos, indústrias criativas, cosméticos e agronegócio. Ao todo, 230 empresas brasileiras se inscreveram.
A principal meta no país é a abertura do mercado de carnes bovinas. O Brasil ainda não tem acordo sanitário para exportação do produto à Coreia do Sul, que tradicionalmente compra de Austrália e Nova Zelândia. A conquista seria importante diante da cota de importação imposta pela China em dezembro de 2025.
A delegação também buscará aproximar matérias-primas brasileiras do mercado de cosméticos sul-coreano e atrair fábricas de produção de cosméticos para o Brasil.
O objetivo é atrair capital sul-coreano –o país é o 4º parceiro comercial do Brasil na Ásia e 13º no mundo.


