Após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicar o avanço de uma safra recorde no Brasil este ano, previsão que derrubou os preços da soja na bolsa de Chicago nesta quarta-feira (12), o IBGE estima que a produção da oleaginosa em 2026 alcance 172,5 milhões de toneladas, superando em 3,9% o volume registrado no ano passado.
De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), a estimativa subiu 1,3% na comparação com o terceiro prognóstico. Agora, o rendimento médio deve aumentar 3,4%, chegando a 3.598 quilos por hectare, o equivalente a 60 sacas por hectare.
Com esse desempenho, a soja deve representar mais da metade de todo o volume de cereais, leguminosas e oleaginosas produzido no país.
O gerente do LSPA, Carlos Barradas, comenta os fatores que contribuem para esse cenário. “A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas de 2026 está aproximando-se do recorde da safra de 2025, estando turbinada pela produção da soja, que é recorde da série histórica do IBGE. Até o momento, as condições climáticas estão beneficiando as lavouras da primeira safra”.
A área destinada ao plantio da soja deve atingir 48 milhões de hectares, aumento de 0,5% na comparação anual, o equivalente a 222,6 mil hectares, mesmo com os preços da commodity em patamares abaixo do desejado pelos produtores.
Às 13h (horário de Brasília) desta quarta-feira (11), o contrato da soja (Paranaguá) registra valorização de 1,18%, negociada, a 126,95 por bushel.
Já na Bolsa de Chicago, o contrato da soja para março avança 0,13%, a US$ 11,24 por bushel.
Em relação à produção da soja, o Mato Grosso estima produção de 48,5 milhões de toneladas, alta de 3,8% frente ao terceiro prognóstico e queda de 3,3% em relação ao ano anterior, enquanto o Mato Grosso do Sul projeta colheita de 15 milhões de toneladas, aumento de 14% frente ao ano passado.
Em Goiás, o LSPA indica a possibilidade de colher 19,1 milhões de toneladas, volume que representa um crescimento de 2,3% ante o terceiro prognóstico e recuo de 5,8% na comparação com 2025. Já a área plantada deve avançar 0,5%, enquanto para o rendimento médio é estimada queda de 6,3%.
Nas estimativas para o Sul, o Paraná deve registrar 22,2 milhões de toneladas, com variação de 0,3% em relação ao terceiro prognóstico e de 3,9% ante 2025.
Já no Rio Grande do Sul, a estimativa é de 21,2 milhões de toneladas, crescimento de 55,4% na comparação anual, enquanto o rendimento médio deve subir 57,5% e a área plantada recuar 1,4%. Em 2025, a produção do estado foi afetada pela falta de chuvas durante o ciclo da cultura.
De acordo com o estudo, a estimativa de janeiro para a produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026 somou 342,7 milhões de toneladas. O resultado é 1% menor que o obtido em 2025, uma diferença de 3,4 milhões de toneladas.
Na comparação com dezembro de 2025, houve aumento de 2,8 milhões de toneladas, equivalente a 0,8%.
Entre as principais culturas da safra de grãos, o arroz, o milho e a soja representam 92,9% da estimativa da produção e 87,5% da área a ser colhida.
Na comparação anual, a soja registra aumento de 3,9% e o feijão, de 0,9%. As demais culturas registraram queda: o algodão herbáceo reduziu em 11%, o arroz diminuiu 7,9%, enquanto o milho teve uma redução de 5,6%, o sorgo recuou 13,9% e o trigo registrou baixa de 1%.
Na área prevista para colheita, a soja apresenta crescimento de 0,5%. O milho avança 2,2%, com aumento de 9,3% na primeira safra e de 0,5% na segunda. O trigo sobe 0,9%. Há reduções de 6,2% no algodão herbáceo, 5,9% no arroz, 1,4% no feijão e 2,9% no sorgo.
O Mato Grosso mantém a liderança como maior produtor nacional de grãos, com participação de 30,3%. Em seguida aparecem Paraná (13,9%), Rio Grande do Sul (11,8%), Goiás (10,6%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Minas Gerais (5,4%). Juntos, esses estados concentram 79,6% da produção do país.
A região Centro-Oeste lidera o volume produzido, com 167,5 milhões de toneladas, o equivalente a 48,9% do total. O Sul aparece em seguida, com 95,3 milhões de toneladas (27,8%), seguido pelo Sudeste, com 30,2 milhões (8,8%), Nordeste, com 28,2 milhões (8,2%), e Norte, com 21,5 milhões (6,3%).
Na comparação mensal, a produção cresceu 0,2% no Sul, 0,5% no Norte e 1,6% no Centro-Oeste. Já o Sudeste apresentou estabilidade e o Nordeste teve recuo de 0,4%.
Na variação anual, houve aumento na Região Sul (10,4%) e na Nordeste (1,8%), enquanto as regiões Centro-Oeste (-6,2%), Sudeste (-2,9%) e Norte (-3,7%) registraram queda.
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